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Empresário admite ter comprado terreno de R$ 7 milhões que seria para nova sede do Instituto Lula

Notícias, Política
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06/09/2017 16:54

Empresário Dermeval Gusmão Filho, dono da empresa DAG, prestou depoimento nesta quarta-feira, 6

Dermeval Gusmão Filho foi interrogado em processo da Lava Jato em Curitiba (Foto: Reprodução)
Legenda da foto

O empresário Dermeval Gusmão Filho, dono da empresa DAG, admitiu, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, na manhã quarta-feira, 6, que comprou o terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula. Ele contou, ainda, que pagou R$ 7 milhões de forma oficial.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a DAG foi usada como laranja na compra do terreno em São Paulo.

A compra do terreno, em São Paulo, e a de um imóvel vizinho ao apartamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, são investigados pela operação. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) esses bens eram propinas do Grupo Odebrecht para o ex-presidente Lula.

Quanto à compra do apartamento vizinho ao de Lula, o empresário disse que desconhecia a negociação.

“O que eu posso dizer pro senhor é que eu fui enganado. Hoje eu entrei aqui como laranja nesse processo e hoje eu vejo que o que eu fui, foi um pato”, afirmou o empresário.

O depoimento

Durante o depoimento, Dermeval relatou que o primeiro contato que teve com o terreno foi em uma reunião com um então executivo da Odebrecht.

“No final de julho de 2010, início de agosto de 2010, fui procurado por Paulo Melo, então diretor da Odebrecht Realizações no estado de São Paulo, me convocando para uma reunião. Essa reunião aconteceu, primeiramente, no escritório dele. Paulo me coloca uma oportunidade de negócio: a Odebrecht tinha identificado um terreno para construir um empreendimento”, explicou.

Ainda de acordo com o empresário, a Odebrecht não queria, naquele momento, aparecer como a compradora do terreno. “O argumento era de que era um terreno pequeno e que na Odebrecht, por ter um porte maior, os vendedores veriam uma oportunidade de aumentar o valor”, afirmou.

Dermeval contou a Moro que, então, foi chamado para ser terrenista, com a promessa de ser sócio no futuro. “Eu disse que tinha interesse, sim”, relatou. O empresário ainda contou sobre um almoço com o empresário Marcelo Odebrecht, poucos dias depois.

“No meio da conversa, Marcelo me pergunta se Paulo Melo haveria me passado ou se já tinha comentado comigo sobre a compra do terreno para a construção do Instituto Lula. Eu disse que ele tinha me falado da compra do terreno, mas, não, da construção do Instituto Lula”, lembra.

Na sequência, Dermeval relatou que Marcelo disse a ele que o advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Teixeira, era quem estava coordenando a identificação e a compra do terreno para a futura sede do Instituto Lula.

“[Marcelo] Disse que ele e a Odebrecht tinham sido chamados para ajudar nisso e que ele viu, ali, uma oportunidade de negócio para mim”, completou. Dermerval afirmou ao juiz que realmente viu uma boa oportunidade de negócio e que teve outras reuniões com Paulo Melo e Roberto Teixeira.

Dermeval contou, ainda, que chegou a ser apresentado, por Paulo, às especificações que o Instituto Lula gostaria para a obra: “várias salas de reunião”, garagem, museu, “uma espécie de mini-hotel” etc.

Porém, em uma reunião, segundo Dermeval afirmou, Roberto contou que havia problemas de débitos no terreno, que já existia um contrato de compra e venda com um terceiro e que essa pessoa queria receber, por fora, entre R$ 30 mil e R$ 40 mil para desistir do negócio.

O empresário disse, então, que não faria pagamentos por fora.

Na sequência, Dermeval contou também que, depois, voltou a se reunir com Paulo, que o apresentou a um gerente que trabalhava com ele, João Louvera. As negociações voltaram a avançar.

O empresário afirmou que pediu para não pagar os R$ 7 milhões previstos de uma vez.

Dermeval disse ter aberto, então, uma negociação de compensação com a Odebrecht. Com o valor que recebeu, Demerval afirmou ter pago o terreno para os então proprietários.

Relação com Roberto Teixeira

O empresário disse que no período em que teve contato com Roberto Teixeira, o advogado demonstrava ser uma pessoa próxima à família do ex-presidente e ter intimidade com o pessoal do Instituto Lula.

“No contexto da conversa dele, por diversas vezes, eu subentendia que ele estava se referindo ao ex-presidente Lula”. Segundo Dermeval, principalmente, para pressionar para dar velocidade ao processo de compra do terreno, que foi uma negociação complicada.

Ainda conforme o relato de Dermeval, ele ouviu o nome do ex-presidente em duas ocasiões: quando ele disse que não poderia estar presente na assinatura do contrato e no final, quando Teixeira diz que o ex-presidente ficou satisfeito e o agradeceu em nome de Lula.

Ao responder um pergunta de Moro, Dermeval disse que Roberto Teixeira nunca chegou a mencionar se o ex-presidente tinha conhecimento do imóvel. O réu disse ainda que nunca esteve com o ex-presidente.

Desistência

Ainda conforme o interrogatório de Dermeval, houve uma visita de Lula ao terreno, e o ex-presidente não gostou do espaço. Desta forma, o empresário decidiu colocar o imóvel à venda. Como isto não ocorreu, Dermeval disse que entrou em contato com Paulo Melo para que a Odebrecht adquirisse o bem.

“Esse terreno ficou à venda e não aparecia alguém para comprar, eu cheguei para Paulo e pressionei (…) Ele disse que ia conversar internamente para ver se é possível, aí ele me retorna e diz ‘nós vamos comprar o imóvel na sua mão’”.

De acordo com Dermeval, houve uma negociação triangular para a venda do terreno. Ele vendeu para uma empresa, que vendeu para a Odebrecht. Conforme o empresário, ele recebeu R$ 7,2 milhões pelo terreno.

Outro depoimento

O ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, também réu neste processo, foi interrogado na segunda-feira, 4. Ele disse acreditar que Lula sabia sobre os repasses ilegais feitos a ele, embora tenha reconhecido que nunca tratou do assunto com o petista.

Odebrecht disse ter afirmado ao pecuarista José Carlos Bumlai e ao presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que debitaria o valor do terreno para a entidade da planilha Italiano, referente, conforme o empresário, a pagamentos não contabilizados da companhia ao ex-ministro Antônio Palocci e ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Marcelo Odebrecht também disse que fazia os pagamentos a Lula por considerá-lo uma pessoa influente, mesmo depois de deixar a presidência.

G1