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Evolução, solidez e afinidade com grupo: 6 meses depois, Cuesta se vê em casa no RS

Esportes, Nacional
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21/09/2017 09:31

Zagueiro é peça-chave no sistema defensivo do Inter e estreitou laços com Porto Alegre e o estado neste início de trajetória no Beira-Rio

Víctor Cuesta tem três gols em 30 partidas pelo Inter (Foto: Ricardo Duarte / Inter, DVG)
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Quem vê a seriedade e tranquilidade que Víctor Cuesta desfila na defesa do Inter, saiba que, além do talento, há muita relação com sua vida no Rio Grande do Sul. O argentino encontrou semelhanças com a terra natal e criou laços no clube os quais surgiram como trunfos na adaptação.

Contratado para ser o xerifa da zaga e melhorar um sistema coberto de críticas após o rebaixamento, desembarcou em Porto Alegre há exatos 202 dias. Sua estreia ocorreu há quase seis meses. Deu sorte. No dia 22 de março, participou do empate em 1 a 1 com o Ypiranga (vitória por 4 a 3 nos pênaltis), que culminou com o título da Recopa Gaúcha.

A titularidade foi instantânea. No início, entretanto, sofreu com a oscilação do time. O Inter era vazado com frequência (acabou o Gauchão como o mais vazado, com 18 gols). Os problemas prosseguiram no começo da Série B. Aos poucos, começou a mostrar o futebol que chamou atenção da diretoria para retirá-lo do Independiente.

Expoente da defesa

O hermano só saiu da equipe quando apresentou uma lesão muscular na coxa esquerda. Após ter a seu lado Paulão, Léo Ortiz, Danilo Silva, foi com Klaus que conseguiu solidificar a zaga. Agora, busca dar sequência ao lado de Ernando. O gringo é um dos expoentes do segundo melhor sistema defensivo da Série B, que só levou 18 gols em 24 partidas (média de 0,75 por jogo).

Em campo, não se furta da dividida, mas sem apelar para a maldade. Evita os gritos, mas gesticula e orienta os companheiros, seja nos treinos ou durante as partidas. Tem uma boa saída de bola e ainda se aventura ao ataque. Forte na bola aérea, já contribuiu com três gols.

“Fui evoluindo, assim como o time. Quando o time encaixou, vários jogadores aumentaram a confiança. Foi bom. Me adaptei rápido. Pude ajudar, mas evito pensar muito à frente. Foco no dia a dia para ajudar o Inter a voltar de onde nunca deveria ter saído”.

Polêmica

Se hoje goza de tranquilidade, passou por um momento delicado no Colorado. Não por uma sequência de partidas com desempenho abaixo do esperado. No dia 11 de julho, durante a vitória por 2 a 0 sobre o Ceará, esteve no epicentro de uma polêmica.

Elton, atacante do clube nordestino, o acusou de tê-lo chamado de “macaco”. Logo, o clube tratou de abraçá-lo, dar suporte e garantir que isso não tinha ocorrido. No dia seguinte, reiterou o discurso em um pronunciamento. O atacante chegou a registrar boletim de ocorrência para investigar o suposto crime de injúria racial. O assunto, porém, não avançou.

Íntimo dos companheiros

O episódio não o abalou. Pelo contrário. O jogador de 29 anos seguiu a rotina de treinos e cada vez mais integrado ao clube. Mora no mesmo condomínio de D’Alessandro e ambos costumam desfrutar de momentos de lazer juntos.

O capitão, no entanto, não foi o único colorado que facilitou a acolhida no Beira-Rio. Nico López é outro jogador próximo ao argentino. Só que o zagueiro não se restringe às parcerias com os forasteiros. Criou laços também com os brasileiros. Danilo Fernandes, Uendel e Edenílson são alguns de seus melhores amigos no vestiário e com quem aproveita as folgas.

O apreciador

A intimidade com os colegas não é o único fator que o aproximou da cidade. O defensor, fã das redes sociais, costuma mostrar a alegria que vive em Porto Alegre ao postar suas aventuras em restaurantes, cartões-postais da capital e interior – como uma incursão a Gramado, na Serra –, e eventos, além, é claro, dos momentos pelo Colorado.

Adepto das tatuagens, gravou um lobo em sua mão direita nesta semana em um estúdio da capital gaúcha. Na noite da última terça-feira, esteve no Beira-Rio. Não para participar de um exercício promovido por Guto Ferreira ou uma partida da Série B, mas para acompanhar o show de Bon Jovi. O gringo valorizou os músicos de Nova Jérsei e falou sobre as semelhanças entre Rio Grande do Sul e Argentina.

– Foi muito bom. Me sinto na Argentina aqui. Estou muito bem. Os costumes são parecidos – resumiu.

Em alta e ajustado com o estilo gaúcho, Cuesta busca manter o padrão de atuações para ajudar o Inter a garantir o acesso à Série A. Neste sábado, terá novo desafio. A partir das 16h30, o time de Guto Ferreira enfrenta o Náutico no Lacerdão, em Caruaru, Pernambuco. Atualmente, os gaúchos estão em segundo com 45 pontos, três atrás do América-MG, mas recupera a liderança em caso de triunfo pelo número de vitórias (chegariam a 14, enquanto os mineiros têm 13). O Timbu é o penúltimo, com 20.

GE