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Ex-diretor da Secretaria da Educação gastava milhares de reais em lojas de luxo no exterior, diz Ministério Público

Justiça, Notícias, Policial
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19/09/2017 10:33

Maurício Fanini foi detido no sábado (16), na terceira fase da Operação Quadro Negro.

Foto: Reprodução G1
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O Ministério Público do Paraná afirma que o ex-diretor da Secretaria da Educação Maurício Fanini gastava milhares de reais em compras, em lojas de artigos de luxo no exterior. As informações constam na denúncia apresentada pelos promotores à Justiça, que levou Fanini à prisão, no sábado, 16, na terceira fase da Operação Quadro Negro.

Na denúncia, os promotores afirmam que durante o período em que as fraudes aconteceram, os gastos com cartões de crédito de Fanini e da mulher foram muito além do que o casal ganhava. Em uma única fatura custou R$ 76 mil aos dois.

As faturas também mostram que esse dinheiro ia, sobretudo, para gastos com viagens e artigos de luxo. Em uma das joalherias mais famosas do mundo, os dois gastaram de uma só vez R$ 6,7 mi. Em uma loja de roupas, foram outros R$ 7 mil, além de mais R$ 6 mil em uma revenda de eletrônicos. Nos Estados Unidos, os dois também gastaram outros R$ 11 mil, durante três dias, em uma loja de departamentos.

Consta na denúncia que, entre 2013 e 2015, as contas do casal receberam um grande aporte de dinheiro. Os promotores detalham que, a partir de maio de 2014, houve um “severo aumento do fluxo de depósitos sem origem explícita, totalizando entradas de R$ 2,3 milhões”, nas contas bancárias do casal.

O MP-PR afirma que, para dar um ar de licitude aos valores, o casal fez diversos depósitos, de baixo valor. “Sua fragmentação em 870 depósitos que, como regra envolveram baixos valores, evidenciou um deliberado propósito de entregar uma aparência lícita a valores oriundos de atividades ilícitas”, diz trecho da denúnica.

Para o MP-PR, esse dinheiro foi obtido com as fraudes descobertas pela Operação Quadro Negro. Fanini era o chefe do setor que produzia laudos fraudulentos sobre o andamento de obras de construção de escolas estaduais. Sob a gestão dele, a Construtora Valor recebeu mais de R$ 20 milhões por obras que, na maior parte dos casos, mal saíram do papel.

A investigação aponta que Fanini era um dos principais responsáveis pela fraude, no âmbito da administração pública. Ele teria ajudado o dono da Valor, Eduardo Lopes de Souza, a garantir o sucesso do esquema criminoso.

O advogado que defende Maurício Fanini e Betina Antônio informou que vai pedir a revogação da prisão do ex-diretor da Secretaria de Educação. Ele preferiu não se manifestar sobre o conteúdo da denúncia.

A Secretaria Estadual de Educação declarou que foi a primeira a investigar os indícios de desvio e a avisar as autoridades competentes. A pasta também informou que reforçou os departamentos de controle interno e de auditoria.

A defesa de Eduardo Lopes de Souza não quis se manifestar. A Construtora Valor não possui advogado constituído.

G1