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Floricultura recebeu R$ 6 milhões de empresa investigada na Lava Jato, diz MPF

Geral, Justiça, Notícias
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28/02/2018 13:59

Loja de flores e presentes foi usada pelo administrador da empresa Rio Tibagi, subsidiária da concessionária de pedágios Econorte, para movimentar milhões de reais 'sem causa lícita', segundo procuradores

Floricultura Floribella fica em uma pequena loja na região central de Londrina (Foto: Luciane Cordeiro/RPC)
Legenda da foto

Uma pequena floricultura situada na Rua Pará, no Centro de Londrina, recebeu R$ 6.467.242,52 da empresa de engenharia Rio Tibagi, subsidiária da concessionária Econorte e investigada na Operação Lava Jato, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

A Guerra & Rosa foi constituída em 2006, tendo como um dos sócios Leonardo Guerra, o principal administrador da Rio Tibagi, preso em 22 de de fevereiro na 48ª fase da Lava Jato.

De acordo com os procuradores, os mais de R$ 6 milhões foram recebidos pela floricultura entre 2011 e 2013. Guerra deixou a sociedade em 2012. Atualmente, a irmã dele, Heloiza Guerra, é proprietária da empresa.

Nesta etapa, a operação apura crimes como corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na gestão das concessões de rodovias federais no Paraná. A força-tarefa afirma que a tarifa de pedágio no estado foi superfaturada para financiar a corrupção.

“Tal volume de pagamentos não parece ser compatível com a aparente pequena dimensão da Floricultura Guerra & Rosa que não teve mais do que dois empregados entre 2008 a 2013”, contestou o MPF, em petição protocolada junto à Justiça na segunda-feira 26.

Procurado pelo G1, o advogado Rodrigo Antunes, que representa os irmãos, afirmou que se manifestará apenas nos autos do processo.

Flores artificiais

Pedestres e motoristas que passam por ali quase não percebem que na loja fechada com uma porta de grade de ferro há um comércio de flores e artigos para presentes.

Se não fosse pela placa fixada em um muro, não se saberia que no pequeno espaço há uma floricultura.

A loja da floricultura Floribella (o nome fantasia da Guerra & Rosa), especialista em buquê de noivas, não tem nenhuma flor ou arranjos de flores verdadeiras expostos.

As poucas prateleiras de vidro sustentam pequenos vasos com folhagens ou flores artificiais e exemplos de cestas matinais simples.

Para saber quais são os produtos vendidos pela floricultura e como podem ser entregues, uma funcionária recorre ao site da loja para mostrar os itens disponíveis.

As investigações

Por meio da loja e de outras empresas de fachada, segundo a Lava Jato, o administrador movimentou milhões de reais em depósitos “sem causa lícita” em um esquema de desvio de recursos provenientes da concessionária.

O dinheiro desviado de tarifas de pedágios era depositado por empresas “prestadoras de serviços” contratadas pela Rio Tibagi, “embora nunca tenham registrado empregados e seus objetos sociais em nada se assemelhem à conservação de rodovias”, ainda conforme a investigação.

“(…) tais empresas (de fachada ou sem capacidade operacional) emitiam notas referentes a transações inexistentes, de modo a acobertar a retirada de valores da RIO TIBAGI, os quais, posteriormente, eram repassados à ‘FLORICULTURA GUERRA E ROSA'”, acusa o MPF.

Com os recursos desviados da Rio Tibagi por meio da floricultura, Guerra adquiriu 40 imóveis em Londrina, entre 2011 e 2013, e custeou despesas próprias e de seus familiares, aponta a Receita Federal.

Para o Ministério Público Federal, Guerra representa “apenas a ‘ponta do iceberg’ no contexto de um conglomerado de operações criminosas que envolvem diretamente os demais representados e agentes públicos sob investigação”.

48ª fase

A 48ª fase da Lava Jato tem como alvos principais servidores públicos e empresas investigadas por corrupção, lavagem de dinheiro, associação criminosa e peculato. Seis pessoas foram presas – entre eles, o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER-PR), Nelson Leal.

Além mandados de prisão, a Polícia Federal (PF) cumpriu 55 mandados de busca e apreensão; a Casa Civil, na sede do governo estadual, foi um dos alvos.

Segundo o MPF, a fase da operação tenta mostrar as “reais causas” do usuário pagar preços tão elevados pelos pedágios. De acordo com a investigação, o valor das tarifas foi superfaturado para financiar a corrupção.

Os presos são investigados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, associação criminosa e peculato.

G1