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Forças Armadas deixam a Rocinha após uma semana de ocupação

Notícias, Segurança
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29/09/2017 09:15

Último grupo de militares deixou a comunidade às 7h30 desta sexta-feira, 29. Na noite de quinta, 28, um confronto entre PMs e criminosos deixou um suspeito morto no local

Tropas das Forças Armadas começaram a sair da Rocinha. (Foto: Reprodução/ TV Globo)
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As Forças Armadas deixaram a comunidade da Rocinha nesta sexta-feira, 29, após uma semana na comunidade em meio a uma guerra entre facções rivais. Cerca de mil homens foram retirados do local. Os comboios começaram a deixar a comunidade por volta das 3h30 desta madrugada. O último grupo de militares do Exército saiu da Rocinha às 7h30.

Após a saída das tropas, homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegaram à comunidade. Desde que a disputa pelo poder do tráfico começou na comunidade, agentes do Comando de Operações Especiais têm feito ações constantes na Rocinha.

Segundo o porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Itamar, não cabe às Forças Armadas a prisão dos criminosos que estão foragidos. “A questão dos traficantes que ainda não foram presos, também é um objetivo dos órgãos de segurança pública do estado. Não se trata exatamente de uma atribuição das Forças Armadas a prisão de procurados pela polícia”, afirmou.

De acordo com ele, a ação das forças é com apoio operacional e ações de inteligência. “A nossa contribuição nessas operações é num sentido de apoio às ações de segurança pública. Ou seja, o cerco para dar segurança e estabilidade para que as policias militar e civil possam fazer o seu trabalho de busca e apreensão”, explicou.

Apesar da afirmação do ministro da Defesa Raul Jungmann de que a situação na Rocinha estaria estabilizada, um confronto entre criminosos e PMs deixou um suspeito morto na localidade Vila Verde da comunidade, na noite desta quinta-feira, 28.

Na quinta, o ministro da Defesa Raul Jungmann anunciou que o cerco das Forças Armadas na Rocinha começaria a ser desfeito nesta sexta. Em entrevista exclusiva ao RJTV, ele disse que está satisfeito com a atuação e que o objetivo do Governo Federal era acabar com a guerra que levava terror aos moradores, não a prisão de bandidos – pois isso cabe à polícia.

“Neste momento, a Rocinha está estabilizada. Isso foi alcançado sem uma bala perdida, sem uma criança ser morta ou ferida e também qualquer um membro da comunidade. Então, neste momento, já não se faz necessária a presença desses quase 1 mil homens que lá se encontram. Nós temos muitas comunidades aonde atuar”, disse o ministro.

Jungmann disse que, havendo necessidade, as tropas têm capacidade para chegar rapidamente a qualquer parte da cidade para dar apoio às forças de segurança estaduais.

“Nós temos, eu diria, um bom número de operações que já estão engatilhadas, estão planejadas, estão prontas. Nós vamos ter a capacidade de chegar a qualquer comunidade entre uma e duas horas porque estamos, a partir de então, com tropas de plantão, com efetivos de plantão, com a força de ação de resposta rápida para atender as demandas necessárias da segurança do Rio de Janeiro.”

Segundo o governo, como contrapartida para a decretação da Garantia da Lei e Ordem, as Forças Armadas pediram para não se instalarem na mesma localidade por muito tempo.

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) disse que “respeita e agradece a colaboração das Forças Armadas”, e que a PM vai reforçar o policiamento com as unidades especiais, o batalhão local e a Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha.

Entrada

As Forças Armadas entraram na Rocinha às 15h30 do dia 22 de setembro, após o anúncio do reforço feito pelas autoridades de segurança. Inicialmente, um helicóptero das Forças Armadas sobrevoou a região. Pouco depois, tropas por terra chegaram em comboio com muitos veículos.

Os militares foram se agrupando na parte baixa da comunidade antes de subir. Após se alinharem, entraram em fila com arma em punho. Moradores acompanharam a ação sem correria. Não houve confronto. Na parte alta, um helicóptero deixou mais militares, que desceram de rapel na base da UPP.

Todas as escolas municipais e estaduais da comunidade voltaram a funcionar na quinta. Foi o primeiro dia em que todas as unidades voltaram a operar desde a entrada das Forças Armadas entraram na comunidade.

As polícias Civil e Militar realizam operações em vários pontos do Rio em busca do traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, apontado como o chefe do tráfico na comunidade. A disputa entre ele e o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, é tida como o estopim para a crise de segurança na comunidade.

G1