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Gegê do Mangue, maior liderança solta do PCC, é morto no Ceará

Geral, Notícias
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19/02/2018 11:35

Rogério Jeremias de Simone foi alvo de uma suposta emboscada em área de mata fechada próxima à Fortaleza. Ocorrência foi registrada na sexta-feira

Reprodução/Rede Record
Legenda da foto

Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, maior liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital) nas ruas, foi assassinado em uma suposta emboscada na reserva indígena de Aquiraz, a 30 quilômetros de Fortaleza, no Ceará. Com Gegê, também foi encontrado morto Fabiano Alves de Souza, o Paca.

O Ministério Público do Estado de São Paulo suspeita que o crime tenha sido motivado por disputas internas da facção.

As mortes teriam ocorrido na madrugada de sexta-feira (16) e os corpos foram encontrados na manhã seguinte. Testemunhas relataram à polícia cearense que um helicóptero pousou na região e logo depois foram ouvidos uma sequência de disparos. Investigadores paulistas acreditam que tenha sido montada uma emboscada contra Gegê e Paca.

Os corpos só foram identificados horas depois, mas a mensagem se espalhou rapidamente pelo sistema prisional paulista dando conta da morte de Gegê.

Duas hipóteses principais estão sendo consideradas para o caso. A primeira, apontada por integrantes do Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, é que a morte de Gegê tenha ocorrido em represália ao assassinato de Edilson Borges Nogueira, o Biroska, que aconteceu em 5 dezembro na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Ele possuía funções na Sintonia Final, cúpula da facção, e foi morto a golpes de estilete.

Outra possibilidade é que, na rua, Gegê estava ganhando mais poder do que os líderes presos do PCC desejavam. “Acredito que o Gegê tenha crescido demais e agiram para cortar essa liderança. Na rua, era o membro mais forte que o PCC tinha”, disse o procurador de Justiça do MP paulista Márcio Sérgio Christino, que atuou em investigações contra o PCC na década de 1990 e nos anos 2000.

Ele é autor do livro Laços de Sangue, a história secreta do PCC, e diz que ações como essa permeiam a história da facção. “Quando isso acontece, a parte vencedora já tem tudo preparado. A morte não é o início de algum plano, é o final, a sua concretização”, disse ao Estado neste domingo (18).

Acreditava-se que Gegê estava comandando negócios do PCC atuando fora do País, principalmente na Bolívia e no Paraguai. “Essa é a hipótese mais provável. Ele não estava no Ceará, mas foi levado para lá”, disse Christino. Em fevereiro do ano passado, a Justiça expediu alvará de soltura em favor de Simone em razão da demora no julgamento de um caso de assassinato.

No mês seguinte, ele seria condenado a 47 anos, e desde então era considerado foragido. Ele respondia a pelo menos 11 processos por homicídio, formação de quadrilha e tráfico de drogas, entre outros crimes.

A soltura do acusado havia sido obtida porque em nenhum dos outros processos a que responde houve decreto anterior de prisão provisória. Antes da decisão no processo de Presidente Venceslau, a defesa de Gegê já havia conseguido reverter no STF (Supremo Tribunal Federal) a prisão relativa a outra acusação de homicídio, que foi cometido em 2004 na favela do Sapé, no Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo. Ele, em parceria com Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, são acusados de ordenar, por celular, um duplo homicídio.

Outro lado

A SSPDS-CE (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará) informou, por meio de nota, que “equipes da Polícia Militar do Ceará, da Polícia Civil do Estado do Ceará e da Perícia Forense do Estado do Ceará estiveram realizando os primeiros levantamentos em uma área indígena, no município de Aquiraz – Área Integrada de Segurança 13, onde dois corpos do sexo masculino, sem identificação, foram encontrados na tarde dessa sexta-feira 16.”

A pasta afirma que “as vítimas permanecem sem identidades comprovadas”. Ainda segundo o texto, a “Pefoce trabalha na identificação formal dos corpos através da necropapiloscopia, que consiste na identificação humana de cadáveres a partir das papilas dérmicas ou, caso necessário, por meio de exame de DNA. Todas as circunstâncias do crime estão sendo investigadas pela Polícia Civil”.

Detalhes sobre o caso só serão repassados, de acordo com a secretaria, “no momento oportuno para não comprometer o andamento das investigações. As diligências estão em andamento para localizar os autores dos homicídios.”

R7