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JBS doou R$ 12 milhões a candidatos de Santa Catarina em 2014 

Notícias, Política
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27/05/2017 18:50

Uma planilha entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) por Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS

Delator indicou que valores mantidos em planilha da JBS representam propina Foto: Reprodução / PGR / PGR
Legenda da foto

Lista todos os partidos e candidatos que receberam verbas da empresa na campanha de 2014. O documento foi juntado ao acordo de delação premiada já homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A lista separa candidatos por partido e pelo cargo em disputa. Não há divisão por Estado, mas a reportagem do Diário Catarinense identificou 142 nomes que disputaram as eleições em Santa Catarina por 16 legendas diferentes. Segundo a relação mantida pela JBS, as contribuições foram repassadas a 111 candidatos a deputado estadual e outros 27 candidatos a deputado federal, além de um candidato ao Senado e a outros três concorrentes ao governo do Estado.

As verbas indicadas na planilha da JBS, conforme apurou a reportagem, são compatíveis com os valores das prestações de contas apresentadas pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Parte das contribuições teve repasse indireto — o dinheiro foi entregue ao diretório nacional do partido, por exemplo, que depois encaminhou ao candidato. A soma para todos os candidatos catarinenses alcança a marca de R$ 12,1 milhões.

O PSD, partido do governador Raimundo Colombo, foi o maior beneficiado naquela campanha, com R$ 5,5 milhões. Em seguida aparece o PP, com R$ 3,3 milhões, logo à frente do PMDB, que recebeu R$ 1,1 milhão. As doações variam entre cifras de alto valor, como os R$ 2,8 milhões declarados pela campanha de Colombo, até quantias menos expressivas, como repasses de R$ 1,2 mil entregues a 13 candidatos a deputado estadual pelo Partido Social Cristão (PSC).

Os valores consideram apenas repasses da própria JBS, sem contabilizar as doações da Seara, empresa que pertence ao mesmo grupo. A planilha entregue à PGR não faz menção a Caixa 2. Em depoimento filmado, no entanto, o delator declara que é “tudo propina”. Ele faz referência à planilha completa, que soma 1,8 mil candidatos e contabiliza quase R$ 600 milhões em doações para candidatos de todo o país.

— Tudo tem ato de ofício, tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa — resume.
Em outro trecho, Saud aponta que as doações ajudaram a eleger 179 deputados estaduais, de 23 Estados diferentes, 167 deputados federais, de 19 partidos, além de 16 governadores eleitos.

— Aqui (na lista) estão todas as pessoas que receberam propina da gente direta ou indiretamente. Eu falo direta ou indiretamente pelo seguinte: é muito difícil o cara não estar sabendo que o PT comprou o partido X ou deixou de comprar o partido Y, que o Aécio comprou o partido X ou deixou de comprar o partido Y. Se ele recebeu esse dinheiro, ele sabe de um jeito ou de outro que foi de propina. Essas pessoas estão cientes disso — reforça.

Partidos reforçam que doações foram legais

A reportagem procurou os diretórios estaduais dos partidos que receberam as maiores somas de valores carimbados pela JBS em 2014 para verificar se as direções reconhecem ou têm divergências em relação às quantias apontadas na planilha. Em nota, os diretórios do PMDB, do PT e do PSD apontaram que as doações ao partido e seus candidatos ocorreram dentro da legalidade. Também em nota, o PSD reforçou que os recursos recebidos da JBS foram repassados pelo diretório nacional e o diretório estadual fez a distribuição entre os concorrentes, sem que nenhum candidato do partido no Estado recebesse doações diretas da JBS.

O PT estadual também informou em nota que não captou recursos da JBS. Os repasses, diz o texto, foram recebidos do diretório nacional do PT e tinham como indicação de origem a JBS. Segundo o PT-SC, jamais foi mantido contato pelo candidato ao governo (Claudio Vignatti), ou seu estafe de campanha, com dirigentes da JBS. O PP disse que o diretório estadual não tem o registro de doações feitas a candidatos diretamente pela JBS em 2014. Os valores recebidos foram enviados via diretório nacional aos candidatos e estão devidamente declarados no Tribunal Superior Eleitoral.

A reportagem buscou contato com o diretório estadual do PSC, mas não conseguiu localizar nenhum representante. Único candidato do PSDB de Santa Catarina listado na planilha da JBS, o senador Paulo Bauer já havia se manifestado por nota sobre a contribuição recebida em campanha. De acordo com o senador, o valor chegou à campanha dele por meio do diretório nacional do partido, para o qual a JBS fez a doação, e foi 100% declarado à Justiça Eleitoral. Em relação ao PR, a assessoria disse que a contribuição de R$ 300 mil foi repassada via diretório nacional.

DC/Fronteira Online