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Johnson brinca sobre quebrar recorde de Spider: “Peço desculpas aos fãs brasileiros”

Esportes, Internacional, UFC
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06/09/2017 15:36

Campeão peso-mosca do UFC confessa que May-Mac o fez pensar em se testar no boxe, mas afirma que não vai abandonar sua divisão: "Ainda estou aqui focado em ser o rei"

Demetrious Johnson e Ray Borg fazem a luta principal do UFC 215, neste sábado, no Canadá (Foto: Evelyn Rodrigues)
Legenda da foto

No próximo sábado, Demetrious Johnson pode bater o recorde histórico de defesas bem-sucedidas consecutivas do cinturão do UFC, pertencente a Anderson Silva. Spider fez 10 defesas de título. Se passar por Ray Borg, “Mighty Mouse” terá 11. Único campeão peso-mosca desde que a divisão foi criada pelo Ultimate, o americano confessa que a marca tem um significado especial para o seu legado, mas brinca que não quer que a torcida brasileira fiquem chateada, caso supere o feito de Anderson.

– Esse recorde significa muito, ainda mais eu sendo o campeão. Me lembro bem de quando conquistei o meu cinturão, da minha primeira defesa de título, nunca achei que me viria nessa situação (de 10 defesas de título bem-sucedidas). Apenas me via como um cara que trabalha duro como atleta. Agora estou nessa situação, então vou entrar lá e fazer o meu melhor, e não estou tentando irritar nenhum brasileiro (risos). Isso é muito engraçado. É muito triste que os brasileiros estão bravos comigo porque vou quebrar o recorde do Anderson Silva. Sabe, primeiro o UFC queria que eu fosse para o Brasil enfrentar o Wilson Reis e derrotá-lo lá, mas eu pensei: “Por que ir para o Brasil lutar com o Wilson Reis e derrotá-lo lá, e ainda por cima tentando quebrar o recorde do Anderson Silva? Por que eu faria isso?” Eu peço desculpas aos meus fãs brasileiros, eu juro que estou fazendo tudo certinho, sem atalhos, apenas trabalhando duro – declarou em entrevista ao Combate.com.

O campeão peso-mosca voltou ao posto de número um do ranking peso-por-peso do UFC, após Jon Jones ter sido flagrado novamente em exame antidoping. “Mighty Mouse”, no entanto, afirma que não está nem aí para a listagem, tanto é que só soube da novidade ao ser questionado sobre o ranking pela nossa equipe.

– Eu voltei? Nem sabia… Obviamente não me importa porque eu nem sabia. Podia ser: “Ei, você está de volta ao posto de número um, estou te mandando o cheque imediatamente”, né? Mas eu nem sabia dessa, vocês acabaram de me contar. Eu estou apenas focado no Ray Borg, estou focado em fazer história, é isso que mais importa. É isso que eu consigo controlar. Não consigo controlar quem vai ser o número 5, 6 ou o que for, porque eu basicamente não posso controlar o que as pessoas fazem fora do octógono. Pra mim, eu foco no que eu posso fazer, que é lutar, e espero que eu vença.

Durante o bate-papo, Demetrious disse que não se importa com o fato dos fãs não darem a devida importância para o confronto com Ray Borg, que acontece na luta principal do UFC 215, neste sábado, em Edmonton, no Canadá. Ele também revelou que o duelo entre Floyd Mayweather e Conor McGregor, no útlimo dia 26 de agosto, o fez pensar em se testar no boxe, mas garantiu que não pensa em abandonar a divisão dos moscas no futuro:

– Ainda estou aqui focado em ser o rei – declarou.

Confira:

Você sempre quis enfrentar o Ray Borg, desde antes da história de fazer uma superluta com o TJ Dillashaw. Por quê acha que ele merece essa chance de disputar o título?

No começo sempre quis o Ray Borg, não era sobre isso (lutar com o TJ). Eu não vou reclamar disso, mas a luta acabou se desenhando e ele é o desafiante número um na divisão dos moscas, e foi assim que essa luta aconteceu. Ray Borg é um adversário ótimo, vem de um ótimo camp, a academia do Greg Jackson, já enfrentei aquele camp diversas vezes com o John Dodson. Ainda estou empolgado para entrar lá e ver o que eles estão guardando para apresentar no octógono.

Demetrious Johnson e Ray Borg fazem a luta principal do UFC 215, neste sábado, no Canadá (Foto: Evelyn Rodrigues)

Se você bater o recorde do Anderson Silva no sábado, o que vê no seu futuro?

Se eu vencer no sábado, a divisão vai saber que o campeão ainda está aqui, e que mesmo aos 31 anos ele ainda é um caminhão velho com muitos quilômetros a serem rodados. Acho que posso falar assim. Ainda estou aqui, focado em ser o rei.

Ainda pensa em superlutas?

Claro, se o dinheiro for suficiente. Se não for, eu não vou fazer. Mostre-me a grana. Como canta o Jason Mraz: “Mostre-me a grana”.

A luta entre o Floyd Mayweather e o Conor McGregor mudou a mentalidade dos lutadores de MMA para o valor que recebem? Acho que depois dessa luta mais e mais atletas vão buscar “lutas do dinheiro”?

Claro, mudou a mentalidade de qualquer atleta nessa direção. Se você tem essa influência e poder e as pessoas pedem que você faça algo, você tenta usar o máximo de influência possível para conseguir o que quer, porque é claro que os promotores vão ter o que eles quiserem nesse negócio, então… Quem foi mesmo? Tyrone Spong disse algumas palavras muito boas. Ele disse: “Se você vai me ferrar, deixe-me pelo menos ser nos meus termos”. Esses caras estão ganhando muito mais dinheiro do que os atletas, então se você está em uma posição de influência, use essa posição para conseguir o que você quer. Parece que eles (UFC) querem fazer superlutas, então vamos começar a negociar. Mas, primeiro de tudo, tenho que passar pelo Ray Borg, só depois disso veremos o que vai acontecer.

Tem vontade em se testar em outro esporte?

Sim, não vou mentir. Depois de ver o McGregor se testando no boxe, eu me inspirei, então talvez um dia eu possa querer lutar boxe. Porém, só farei isso se o dinheiro compensar, porque obviamente eu amo dar chutes, joelhadas, finalizar e quebrar as pessoas. Adoro leva a luta para um outro lugar, como um verdadeiro artista marcial. McGregor mesmo disse que aquela era uma meia luta, era apenas boxe.

Acha que as pessoas estão subestimando a sua luta com o Ray Borg? O próprio Dana White disse no passado que a luta não venderia, há muitos especialistas dizendo que ele não é o adversário mais duro que você já enfrentou…

As pessoas costumam subestimar isso. Acho que todo mundo que eu enfrentei no octógono foi uma luta difícil. As pessoas dizem que o Wilson Reis não estava no meu nível, eu achei que ele foi muito difícil, ele é um lutador muito bom. O Henry Cejudo, Tim Elliot…todos eles são excelentes lutadores. Não é culpa minha se eu entro lá e faço parecer uma luta fácil aos olhos do público, mas para mim, estou calculando cada movimento que aquela pessoa está fazendo, quais golpes ela vai soltar, estou calculando a distância. Faço tanta coisa lá dentro, que o fã comum não entende o que está acontecendo. Eu e os meus treinadores sabemos o que está acontecendo, os treinadores dos meus adversários também. Então, para mim, eu apenas foco em ser uma versão melhor de mim mesmo para conseguir quebrar esse recorde e continuar vencendo para ter uma segurança financeira. Assim, quando eu me aposentar, eu terei algo para mostrar, eu não serei um desses caras que se dedica por 10 anos ao esporte e quando se aposenta diz: “Eu tive muitas superlutas, tenho encefalopatia traumática craniana, concussões cerebrais e etc”. Eu vou fazer três superlutas, defender meu título por 15 vezes, minha conta bancária vai estar recheada e quando fizer as superlutas elas vão rechear ainda mais a minha conta do que quando eu me aposentar.

Sobre a história do UFC ter dito que acabaria com a divisão dos moscas se você não aceitasse enfrentar o Dillashaw, ainda teme que isso aconteça?

Não… Se isso era o que o UFC queria fazer, que fizessem. Eu não posso controlar o que o UFC quer fazer, quem eles querem promover, quem eles querem que seja a próxima estrela. Tudo o que eu posso fazer é treinar para lutar.

O Ray Borg disse que acredita que quando há um campeão dominante por tanto tempo, as pessoas passam a assistir suas lutas para vê-lo perder. Ele citou o Anderson Silva como exemplo. Você concorda com isso? Acha que as pessoas hoje assistem suas lutas pra te ver perder?

Eu espero, só quero que as pessoas assistam, independente se é para me ver perder ou vencer. Eu quero que as pessoas assistam porque eu sempre vou entrar lá e dar um show. Eu vou entrar lá e fazer o que faço, que é lutar, e isso é bom.

O Canal Combate transmite o UFC 215 neste sábado, a partir das 19h15 (horário de Brasília), com transmissão das duas primeiras lutas e Tempo Real pelo Combate.com. Na sexta, site e canal transmitem a pesagem do evento, a partir das 18h50.

Confira o card completo:

UFC 215
9 de setembro, em Edmonton (CAN)
CARD PRINCIPAL (a partir de 23h, horário de Brasília):
Peso-mosca: Demetrious Johnson x Ray Borg
Peso-galo: Amanda Nunes x Valentina Shevchenko
Peso-meio-médio: Neil Magny x Rafael dos Anjos
Peso-pena: Jeremy Stephens x Gilbert Melendez
Peso-meio-pesado: Ilir Latif x Tyson Pedro
CARD PRELIMINAR (a partir de 19h15, horário de Brasília):
Peso-galo: Sara McMann x Ketlen Vieira
Peso-mosca: Henry Cejudo x Wilson Reis
Peso-galo: Sarah Moras x Ashlee Evans-Smith
Peso-pena: Gavin Tucker x Rick Glenn
Peso-leve: Mitch Clarke x Alex White
Peso-pesado: Luis Henrique KLB x Arjan Bhullar
Peso-leve: Kajan Johnson x Adriano Martins

GE