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Juiz constrange advogada por achar sua roupa ‘inapropriada’

Geral, Notícias
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21/08/2017 10:20

O desembargador emitiu uma nota oficial se defendendo e alegando que as críticas são em nome de um "populismo barato"

Foto: Arquivo pessoal
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A advogada Pamela Helena de Oliveira Amaral, de 33 anos, ficou “extremamente constrangida” na última quinta-feira, dia 17, após um desembargador dizer que ia deixar uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho, em Goiânia, por conta da roupa dela.

Um vídeo mostra quando Eugênio Cesário diz que ela está usando camiseta, que na verdade era um macacão longo. “O fórum é todo feito de simbologia, olha as bandeiras de simbologia lá, olha nossas togas, a que a senhora vai vestir aí e a senhora vem fazer uma sustentação oral de camiseta? Se for para fazer, eu saio”, criticou o desembargador nas filmagens.

Segundo o G1, Pamela conta que é advogada há cinco anos e nunca passou e nem viu uma situação parecida. “Um dia antes eu tinha ido ao TST, que é uma instância superior, com uma roupa parecida, um vestido de alça, e ninguém falou nada. Já usei o mesmo macacão em outras situações e nunca tive problema”, relatou.

A advogada é mãe de uma menina de dois anos e amentava até dois meses atrás, e por isso, tem muitas roupas com alça, que eram para facilitar no período da amamentação. Além disso, ainda segundo o G1, Pamela aponta que não há uma norma escrita determinando que roupa pode ser usada ou não nestas situações e que ela não estava com nenhuma vestimenta que fosse desrespeitosa.

Macacão causou polêmica em tribunal durante audiência em Goiás

Em meio à polêmica, o desembargador emitiu uma nota oficial se defendendo e alegando que as críticas são em nome de um “populismo barato”. “Deveria este julgador ter se omitido, ter sido avestruz, ter oferecido essa pequena cota de contribuição para a esculhambação geral em que está se transformando o estado brasileiro, tudo em nome do populismo barato e irresponsável? Era para ter deixado a doutora participar do julgamento de camiseta?”

Ainda na nota oficial, o magistrado diz não ter ofendido a colega. “Em todo o incidente, tratei a nobre advogada com urbanidade. Interrompi o ato, a doutora se paramentou e o seu processo foi julgado”.

Catraca Livre