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Juiz nega pedido de proibição de peça teatral com Jesus transgênero em Porto Alegre

Justiça, Notícias
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20/09/2017 10:33

'O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu' segue na programação do 24º Porto Alegre Em Cena. Decisão do juiz José Antônio Coitinho foi tomada na tarde desta terça-feira

Atriz trans Renata Carvalho é a protagonista do espetáculo (Foto: Ligia Jardim/Divulgação)
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A Justiça do Rio Grande do Sul negou, na tarde desta-terça-feira, 19, o pedido de proibição da peça teatral “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que está na programação do 24º Porto Alegre Em Cena. O espetáculo tem como protagonista a atriz trans Renata Carvalho e propõe uma reflexão sobre o preconceito relativo às questões de gênero.

Em sua decisão, o juiz José Antônio Coitinho afirmou que “censurar arte é censurar pensamento e censurar pensamento é impedir desenvolvimento humano”. No entendimento do magistrado, é necessário garantir a liberdade de expressão.

“E, sem citar um único artigo de lei, vamos garantir a liberdade de expressão dos homens, das mulheres, da dramaturga transgênero e da travesti atriz, pelo mais simples e verdadeiro motivo: porque somos todos iguais”, diz trecho da sentença.

O juiz também considerou irrelevante a alegada questão da sexualidade de personagens. Segundo ele, a avaliação sobre bom ou mau gosto não compete à Justiça.

“Transexual, heterossexual, homossexual, bissexual, constituem seres humanos idênticos na essência, não sendo minimamente sustentável a tese de que uma ou outra opção possa diminuir ou enobrecer quem quer que seja representado no teatro”, explica.

A peça já chegou a ser proibida pela Justiça de Jundiaí, no interior de São Paulo, há poucos dias. Porém, a apresentação do monólogo foi ovacionada no município vizinho de Rio Preto na noite de sábado, 16.

Agora, o espetáculo que tem o texto de Jo Clifford, dramaturga transgênero escocesa, e direção de Natalia Mallo, está em cartaz nos dias 21 e 22 de setembro, às 22h, no Teatro Bruno Kiefer, no interior da Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736).

O G1 tentou contato com o advogado que ingressou com o pedido, mas não teve as ligações atendidas.

G1