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Mãe que se acorrentou ao filho viciado em crack visita adolescente em clínica: ‘Outra pessoa’

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20/09/2017 10:41

Adolescente de 17 anos está internado há dois meses em uma clínica de Bady Bassitt. Mulher de 35 anos ficou três dias acorrentada com o filho em Itapetininga.

Adolescente com coordenador e enfermeiras da clínica em Bady Bassitt (Foto: Arquivo Pessoal)
Legenda da foto

A mãe do adolescente de 17 anos, que ficou acorrentada com o filho por três dias em Itapetininga (SP) para evitar que ele usasse crack até conseguir uma clínica de reabilitação para tratá-lo gratuitamente, visitou o adolescente pela primeira vez na clínica em que ele está internado há dois meses, em Bady Bassitt (SP). Ao G1, ela afirmou que foi emocionante receber um abraço do filho agradecendo sua atitude de ter o acorrentado.

“Eu estava muito nervosa e ansiosa para vê-lo. Não sabia como ele ia reagir, porque desde que o acorrentei e ele foi levado, não tinha o visto mais. Mas foi muito emocionante. Ele me abraçou e me agradeceu por eu ter acorrentado ele. Eu chorei muito de ver meu filho tão melhor. Ele já está outra pessoa, falando só coisas boas. Deus é maravilhoso”, contou.

O menor foi levado no dia 7 de julho para a clínica após o responsável receber as fotos da mãe acorrentada com o filho e se sensibilizar. Durante a visita, que aconteceu no domingo (17), a mãe pôde ficar com o filho durante todo o dia.

“Eu fiquei de manhã e no período da tarde. Vi que todo mundo gosta dele e que ele fez amigos. Nossa, eu fiquei muito feliz. Almoçamos, conversamos sobre esse período e ele só agradecia por tudo. Está muito bem, feliz e firme em conseguir se recuperar. Eu tenho fé que tudo dará certo dessa vez”, afirma a mãe.

Tratamento

Segundo o responsável pelo local, Pedro Henrique Ribeiro Araújo, o grau de dependência do jovem era forte, mas afirmou que o adolescente está respondendo bem ao tratamento. Segundo Pedro, durante esses dois meses ele não tentou fugir e está se esforçando para conseguir se recuperar.

“Ele chegou com um grau de dependência química muito forte. Os primeiros dias são os mais difíceis, pois a abstinência aparece. Mas agora ele está indo bem e respondendo bem ao tratamento”, afirma.

Araújo diz que o jovem deve ficar um ano na clínica. “Ele deve ficar aqui até o ano que vem. E durante o tratamento trabalhamos com a trilogia: igreja, conscientização (grupos de autoajuda) e laborterapia. No nosso caso, o trabalho será ajudar durante 50 minutos com os afazeres de casa. Se ele praticar o que aprendeu ao sair da clínica, com certeza não terá recaída”, diz.

Antes de sair da clínica o menor passará por um trabalho de reinserção social, em que trabalhará e estudará de forma monitorada.

‘Estava me matando sozinho’

O adolescente de 17 anos relatou ao G1 que a atitude de sua mãe o salvou. “A droga, o crack, só causa destruição. Eu estava me matando sozinho até que minha mãe resolveu me salvar ao me deixar acorrentado com ela para evitar uma tragédia. O vício me fez furtar e deixar minha família preocupada. Eu preciso de ajuda e quero melhorar. Quero me libertar do crack”, disse na época.

O adolescente contou que há dois anos não consumia droga e já chegou a ser internado em São Paulo. Porém, ele afirma que teve uma recaída ao fumar uma pedra de crack.

“Comecei a usar ainda na infância, mas eu estava tranquilo há dois anos. Foi aí que me ofereceram e o vício voltou. Tinha R$ 300 que consegui trabalhando e gastei tudo em droga. Depois, comecei a furtar objetos”, diz.

O garoto revelou que chegou a “limpar” a casa da avó e invadiu casas da vizinhança. Com isso, passou a ser ameaçado pelos moradores.

“Eu fiz isso para comprar a droga, pois não tinha dinheiro. Invadi várias casas e pegava diversos objetos para continuar com o vício. Quando você está viciado, você sabe que está fazendo errado, mas não se importa porque o que mais quer é usar droga”, afirma.

‘Melhor acorrentar do que ver ele morto’

A dona de casa afirmou que encontrou em uma corrente de seis metros a alternativa para salvar o filho e tentar a internação em uma clínica.

“Eu fiz de tudo e nada funcionou. Procurei a polícia, procurei o Caps, mas ele não melhorou. Não adiantou. Foi então que, depois de saber que ele era ameaçado por vizinhos por furtar objetos para comprar droga que resolvi acorrentá-lo e não deixá-lo sair. Melhor acorrentar do que ver ele morto. Eu faria de novo se fosse preciso”, afirma.

A mulher contou que morava com o adolescente e outros quatro filhos em Itapetininga, quando há três meses o marido conseguiu um emprego no interior de Mato Grosso do Sul, para onde se mudaram. O garoto chegou a ir junto, mas, segundo a mãe, por apresentar problemas com drogas e bebidas, voltou a morar com a avó em Itapetininga. De acordo com a mãe, o filho teria passado a furtar vizinhos e até a própria avó para comprar crack.

G1