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Manifestantes protestam contra a “cura gay” em Florianópolis

Geral, Notícias
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23/09/2017 12:10

Cartazes cobraram respeito ao público LGBT e enfatizaram que homossexualidade não é uma doença

Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense
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Bandeiras arco-íris, performances e rostos pintados com glitter marcaram a manifestação contra a liminar que possibilita a utilização de terapias de reversão sexual na noite desta sexta-feira, em Florianópolis. Comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgênero), simpatizantes e coletivos se reuniram no Largo da Alfândega para protestar contra a “cura gay”.

A manifestação, que começou às 18h30min, teve performances com interação do público. Um grupo simulou um “paredão da cura”, onde pessoas eram convidadas a jogar água nos “doentes”.  No evento que segundo a Polícia Militar, reunia 150 pessoas às 19h30min, também anunciaram uma aula pública sobre a o tema. O evento contará com a presença de psicólogos, professores e estudantes na quarta-feira, 27, ao meio-dia no Ticen.

Thomas Dadam, representante da Bapho Cultural, um dos coletivos que organizaram o evento Chuva de glitter – A comunidade LGBT resiste!, diz que houve um ato de resistência, com a ocupação de espaço público, além do empoderamento feminino, negro e LGBT. Ele defende que esse tipo de iniciativa é fundamental para combater o preconceito:

— Sozinhos estamos mais vulneráveis à violência. Em grupo, ganhamos força, somamos. É uma luta imensa, estamos perdendo espaço que conquistamos. Hoje, mais que ontem, precisamos juntar forças.

Representantes do Conselho Regional de Psicologia (CRP) também participaram do protesto. Ematuir Teles, da Comissão de Direitos Humanos do CRP e Conselho Federal de Psicologia, reforçou que apoiam o protesto e que é necessário combater esse olhar de que a homossexualidade é uma doença.

— Para a psicologia a orientação sexual é uma expressão humana — define.

Laurinha Brelaz, militante do movimento das pessoas com HIV, diz que a preocupação deveria ser com as doenças que, de fato, existem:

— Ao invés de parlamentares estarem preocupados com a cura de doenças, como a Aids, querem achar cura para o que não é doença. A população LGBT já é vulnerável e agora tem mais isso. Imagina quantas pessoas o SUS teria que atender — defende

A travesti Vulcânia carregava um cartaz lembrando que na Classificação Internacional de Doenças (CID) ainda consta o “transexualismo”. Para ela, esse é outro grande desafio: fazer com que a transexualidade seja vista como patologia.

DC