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Menos jogos, mais conversa: o que o Grêmio precisa resolver até a Libertadores

Esportes, Nacional
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25/08/2017 09:40

Renato Gaúcho terá 20 dias para remobilizar e descansar o grupo para o primeiro duelo das quartas de final contra o Botafogo. Casos Luan e Bolaños também entram em pauta

Renato Portaluppi pode ter nove dias seguidos de treinos para os titulares sem jogos (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)
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A eliminação na semifinal da Copa do Brasil desenhou um novo horizonte ao Grêmio com dois pesos: ao passo que ganha fôlego no calendário do mês de setembro, vê a pressão aumentar para seguir em frente na Libertadores. Até as decisões contra o Botafogo nas quartas de final da competição continental, o tempo vira aliado para recuperar lesionados e dar descanso aos titulares. Mas a queda para o Cruzeiro deixou lições a ser tratadas no vestiário. Fora dele, as possíveis saídas de Luan e Bolaños devem ganhar atenção especial. Confira:

Calendário reduzido e planejamento

Nos 20 dias que antecedem o confronto com os cariocas no Engenhão, serão apenas três jogos, um deles pela obsoleta Primeira Liga. E o Tricolor pode agradecer até mesmo à CBF, que solicitou o adiamento da partida contra o Sport, pelo Brasileirão, a fim de poupar o gramado da Arena para o duelo da Seleção contra o Equador, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, no próximo dia 31.

Desta forma, o técnico Renato Gaúcho ganha lastro para recuperar os jogadores mais cansados e ainda pode escalar o time titular na partida atrasada da 22ª rodada do Brasileirão, que passou para o dia 2. Até lá, a equipe tem a possibilidade de treinar em pelo menos nove dias seguidos sem o desgaste dos jogos.

No dia 30, o compromisso pela Primeira Liga deve ter reservas. Já no dia 10, quando o Grêmio visita o Vasco, em São Januário, pelo nacional, a escolha de Renato fica aberta. Se por um lado pretende poupar os titulares para o jogo contra o Botafogo, na quarta-feira seguinte, por outro tem o local a favor, já que as duas partidas serão no Rio de Janeiro. Assim, a direção pode optar por manter a delegação em solo carioca até o duelo pela Libertadores.

“O Grêmio nunca deu as costas para o Brasileirão. Enquanto tiver chances, vai continuar jogando. Mas é impossível jogar sempre com a mesma equipe. O planejamento não vai mudar muito. Vamos continuar correndo atrás. Mas quando chegar às vésperas da Libertadores, vamos precisar poupar ” (Renato Gaúcho)

Há também a intenção de recuperar o zagueiro Pedro Geromel, que sofreu uma lesão muscular na coxa direita. Como ele sentiu o problema no último dia 16 e ganhou previsão de retorno em três semanas, a expectativa é que esteja disponível nos primeiros dias de setembro. Renato ainda deve ganhar o reforço de Arroyo, que já voltou aos treinos com uma máscara protetora ao nariz quebrado em sua estreia, diante do Santos. Quem dificilmente terá condições é o meia Douglas, ainda em processo de transição para os trabalhos com bola.

Manter desempenho e “matar” o jogo

Dentro de campo, a tarefa de Portaluppi será retomar o desempenho que fez do Grêmio o ser considerado “o melhor futebol do Brasil”. Apesar do Cruzeiro ter sido um adversário “casca grossa”, o time mostrou um nível abaixo nas duas apresentações pela semifinal da Copa do Brasil. O meio de campo acabou envolvido pela marcação adversária e quase não criou chances de gol, principalmente no Mineirão.

– Acho que a gente não produziu o que vinha produzindo. Tivemos uma oportunidade no primeiro tempo, depois ficou um jogo mais com o Cruzeiro pressionando, morno. Depois do gol, eles com medo de tomar o gol e a gente tentando. Acabou indo para os pênaltis. Não tivemos a felicidade de passar – comentou o goleiro Marcelo Grohe.

Uma das lições tiradas pelo grupo gremista na eliminação é aproveitar as oportunidades. Principalmente em mata-matas, os confrontos são decididos nos detalhes. E o gol perdido por Barrios logo aos quatro minutos de jogo, cara a cara com Fábio, poderia ter mudado o rumo da situação (reveja abaixo). Com a Libertadores em vista, o recado foi dado pelo presidente Romildo Bolzan Júnior:

– (A lição é) não deixar de matar na hora que tem que matar. Poderíamos ser mais definidores hoje (quarta-feira). Não fomos. Um jogo difícil, porque Grêmio e Cruzeiro jogam exatamente iguais. São times que se neutralizam. Se me disser quantas chances concretas o Cruzeiro teve, não muitas. Aproveitou uma bola parada. E o Grêmio teve uma bola para fazer também.

Peso da Libertadores

O Grêmio reforça a cada discurso que o Campeonato Brasileiro não está definido e, enquanto houver chances de título, irá tentar ultrapassar o Corinthians. Mas a diferença de 10 pontos para o líder é quase insuperável, dados os aproveitamentos dos times e a necessidade ainda viva de Renato poupar os titulares para a Libertadores.

O tri da América, sem sombra de dúvidas, é o principal objetivo da temporada. Por isso, é a prioridade. A eliminação na Copa do Brasil causou um certo “conforto” no presidente Bolzan pela diminuição no número de jogos. Por outro lado, mesmo que neguem, os tricolores já sentem a “obrigação” da Libertadores bater à porta.

– Não acredito em reflexo na Libertadores. Acredito na mobilização plena do grupo. Em relação ao Campeonato Brasileiro, deixa correr. O Grêmio vai fazer sua parte. Falei que, se terminássemos setembro em terceiro, quarto, quinto colocado, para mim, seria lucro. E este cenário (de eliminação) recupera de certa forma nossa perspectiva no Campeonato Brasileiro – disse Bolzan.

Já os jogadores fazem questão de tratar que a pressão “é sempre a mesma”, conforme o lateral Edílson, por integrarem um grande clube do futebol brasileiro. Ao longo de 2017, os tricolores deixaram clara a intenção de levantar ao menos um troféu frente a Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.

– Tem Libertadores, brasileiro, decisões ainda. O grupo é muito bom para não ganhar nada. Lamentamos muito esse resultado (eliminação), mas a gente tem que valorizar também o que estamos fazendo – destacou Edílson.

Os casos Luan e Bolaños

Questões de campo à parte, o Grêmio ainda depara com as possíveis saídas de Bolaños e Luan. De acordo com o presidente Romildo Bolzan, o equatoriano não parece motivado a seguir no clube, apesar de não relatar o porquê. Uma reunião ainda nesta semana era esperada entre clube, jogador e empresário para definir o futuro, mas não aconteceu. O Tricolor já adiantou que pode aceitar uma transferência, definitiva ou por empréstimo, desde que não fique no prejuízo. O técnico do Tijuana, do México, admitiu publicamente interesse, mas Bolzan garante não ter recebido propostas.

“Se tiver que ser, será (a saída de Luan). Neste momento. Não temos nenhuma proposta para avaliar. Tínhamos a do Spartak, que caiu. Tínhamos a do Sampdoria, que não aceitamos. Então, não temos nada para analisar neste momento” (Romildo Bolzan, presidente)

O caso de Luan parece ter estagnado, talvez estrategicamente. Mas a posição oficial dos gremistas é de aguardo por propostas pelo camisa 7. Depois de emitir uma nota para negar tratativas com o Atlético de Madrid, a direção não descarta a saída do atacante, porém, garante que as investidas de Spartak, da Rússia, e Sampdoria, da Itália, também não avançaram. A janela de transferências europeia fecha em seis dias.

GE