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Mês da cachaça: especialista dá dicas da bebida e ensina receita da ‘Caipirinha’ perfeita

Dicas
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22/09/2017 10:57

Drink teria surgido em Piracicaba no século XIX; confraria faz primeiro encontro aberto de degustação da bebida no interior de SP

Setembro é celebrado o mês da cachaça no Brasil (Foto: Confraria Paulista de Cachaça/Divulgação)
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Queridinha e exclusiva do Brasil, setembro é celebrado como o mês da cachaça. A bebida tem relações “íntimas” com Piracicaba (SP) tanto por ser polo de produção de cana de açúcar, principal ingrediente da bebida, como por ser, segundo historiadores, ‘berço’ da famosa “Caipirinha”. Por tudo isso, a Confraria Paulista de Cachaça escolheu a cidade para realizar o primeiro encontro aberto de degustação da bebida no interior do estado, e além de dar algumas dicas da bebida, o G1 pediu a uma especialista para ensinar a receita daquela Caipirinha perfeita.

A confraria reúne jornalistas, produtores, donos de bares, profissionais de marketing e especialistas de São Paulo com a missão de difundir e preservar a produção da cachaça brasileira. Além de ser diretora da instituição, Ana Carolina Correa é pesquisadora do laboratório da Escola Superior de Agricultura Luz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba, dedicado a estudar, entre outras coisas, todos os lados que envolvem a produção da cachaça.

Ela conta que somente há cerca de cinco anos a bebida foi reconhecida nos Estados Unidos e México como tipicamente brasileira, e assim, deixou de ser chamada de rum brasileiro pelo mundo. “Com isso, ela passou a ter mais status, deixou de ser somente aquela bebida de boteco, e hoje ela é o primeiro destilado mais consumido no Brasil e o quarto no mundo, atrás apenas de duas bebidas asiáticas e a vodka.”

A relação da cidade com a cachaça é de longo tempo. Segundo a especialista, os primeiros estudos sobre a fermentação da bebida começaram na Esalq em 1930, e nos anos 50, surgiu a destilaria piloto da universidade. Atualmente, o Laboratório de Tecnologia e Qualidade de Bebidas funciona vinculado ao Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição.

Daí para ser berço da “Caipirinha” foi um passo. Uma das teorias para a origem do drink, segundo a especialista, e que não cita território geográfico, é que a bebida já foi um remédio. Sem o açúcar e o gelo, mas com alho, limão e mel, se transformava em tratamento para gripe. Ana Carolina explica que o uso da cachaça era comum em remédios pelo álcool, e por isso, a lógica da origem.

Mas segundo ela, o consenso maior entre historiadores é de que a Caipirinha surgiu em Piracicaba, no século XIX, inventada por latifundiários da região. “Era um drink local servido em festas e eventos de alto padrão, reflexo da alta cultura canavieira da cidade. E até eles dizem que ela substituía o whisky importado pra eles.”

Com o passar dos tempos, o baixo preço da bebida fez com que a cachaça – e a Caipirinha – se popularizasse e perdesse o status de bebida elitista. Daí ela foi se espalhando pra outras cidades e estados do país.

Cachaça da ‘boa’

Ana Carolina dá algumas dicas de especialista para que os leigos identifiquem uma boa cachaça. O mais importante é verificar na embalagem se a bebida é registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “Isso já é um indicador de que a produção segue a maneira correta, que é uma boa cachaça, e isso tem que ter no rótulo.”

Na embalagem, também é preciso buscar alguns detalhes de produção que vão ajudar a checar a qualidade da bebida, como local de produção, tipo e se ela é envelhecida.

“Se você colocar ela numa taça, observar a cor dela. Se, por exemplo, diz que ela é envelhecida em carvalho, observar se ela tem uma cor mais amarelada. Se foi envelhecida vários anos, se ela tem uma cor mais forte, um amarelo mais vivo.”

Quanto ao aroma, a especialista conta que uma cachaça envelhecida tem o aroma mais amadeirado ou característico da madeira que ela foi envelhecida. O carvalho, por exemplo, puxa um aroma semelhante a baunilha ou coco. Já a cachaça branca lembra o cheiro de cana, mais vegetal.

Para ser considerada envelhecida, a cachaça precisa ter 50% da bebida da garrafa envelhecida por pelo menos um ano, em um tonel de qualquer madeira, e o tonel tem que ter no máximo 700 litros. “Mais de 700 ela já não pode mais ser considerada envelhecida.”

Já a cachaça considerada premium, precisa ter 100% da garrafa envelhecida por pelo menos três anos, outro detalhe que precisa ser observado no rótulo.

Como degustar

Nada de copinho de “xote”. Segundo a especialista, para ser degustada corretamente, a bebida precisa ser servida em taça e bebida aos poucos. Começar observando a cor da bebida, se ela tem partículas em suspensão – que a torna meio turva e que já é um indicador de baixa qualidade.

Em seguida, é preciso “beber com o nariz”, sentindo o aroma da bebida antes de prová-la de fato. Ao experimentar, tentar identificar os sabores e sensações. “Sensação prazerosa, alcoólica, de agressividade, que é quando ela desce ardendo e está relacionada aos ácidos que ela contém, o amadeirado. Sentir o gosto e o aroma ao mesmo tempo.”

Para servir junto com a bebida, mera coincidência (ou não) com a cidade natal da Caipirinha, todos os tipos de peixes costumam combinar com a cachaça, principalmente com a cachaça branca. “Já um torresmo combina bastante com a cachaça envelhecida”, completa a especialista.

“Não tem uma regra. A cachaça é bem versátil, como ela tem várias madeiras que podem envelhecer a bebida, ela combina com pratos diversos.”

Agora é ela

E já que a Caipirinha é piracicabana, o G1 pediu à especialista para passar a receita do drink perfeito. Segue abaixo:

– 1 limão Taiti cortado em cubos

– 1 colher de bar, que equivale na cozinha a uma de sobremesa, de açúcar

– 1 dose de cachaça branca (de 50 ml a 70 ml, a gosto)

– Muito gelo

A caipirinha deve ser feita diretamente no copo em que vai ser servida. É indicado usar copos do tipo “on the rocks” ou caldereta. Macerar os cubos de limão diretamente no copo, em seguida colocar o açúcar, encher de gelo e, por último, despejar a cachaça. Segundo Ana Carolina, o segredo é sentir o gosto da cachaça e do limão, por isso não é indicado colocar muito açúcar na bebida, e ainda, colocar bastante gelo, já que é um drink refrescante.

Serviço

O 1º Encontro Aberto da Confraria Paulista da Cachaça no Interior acontece nesta sexta-feira, 22, às 19h, no bar Primo Luiz, no Centro de Piracicaba (SP). O valor da entrada é de R$ 40 para a degustação de até 10 rótulos de cachaças. Além disso, será realizada uma palestra com membros da Confraria Paulista da Cachaça com o tema “Inovações em termos de certificação da cachaça”. Mais informações podem ser acessadas no site da instituição.

G1