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Papa Francisco chorou ao ouvir refugiados rohingyas em Bangladesh

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03/12/2017 17:39

Pontífice pediu 'perdão' aos refugiados rohingyas em nome dos que os perseguem.

Papa Francisco concede entrevista durante voo de volta ao Vaticano (Foto: Vincenzo Pinto / AFP Photo)
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O papa Francisco disse neste sábado (2) que chorou ao ouvir 16 refugiados rohingyas na véspera em Daca, e explicou que o fato de poder conhecer gente dessa minoria muçulmana tinha sido “uma condição” para ele viajar a Mianmar e Bangladesh.

“Sabia que conheceria os rohingyas, mas não sabia onde nem quando. Era a condição da viagem para mim”, disse no avião que o levava de volta a Roma após seis dias na Ásia.

O pontífice elogiou o governo de Bangladesh por ter tornado possível que os refugiados viajassem do seu campo, no sul do país, até Daca para falar com ele. “O que fez Bangladesh por eles é enorme, um exemplo de acolhida”, disse.

Os refugiados, assustados, formaram uma fila indiana para vê-lo na sexta-feira (1º), após um encontro inter-religioso.

“Chorava, tentei fazer com que não se notasse”, disse o papa. “Eles também choravam”, contou. “Pensei: ‘não posso deixar eles irem embora sem lhes dizer uma palavra'”, afirmou Francisco, que usou um microfone para lhes pedir “perdão” em nome dos que os perseguem.

Francisco também respondeu os que se surpreenderam com sua grande prudência em Mianmar, onde em nenhum momento mencionou diretamente a minoria muçulmana apátrida e evitou chamá-la pelo seu nome, uma palavra tabu nesse país de maioria budista.

“Se tivesse pronunciado essa palavra em um discurso oficial, teria fechado a porta para o diálogo com os birmaneses”, afirmou.

“Tive a satisfação de dialogar, de fazer o outro falar”, explicou o pontífice, que disse estar “muito satisfeito” com suas conversas em Mianmar, dando a entender que tinha expressado sua opinião de forma muito mais clara em privado.

Desde o final de agosto, mais de 620.000 rohingyas fugiram a Bangladesh para escapar da repressão do exército no oeste de Mianmar, que a ONU qualificou de “limpeza étnica”.

G1