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Pelos lados e na bola aérea: o raio-X dos gols sofridos pelo Inter na Série B

Esportes, Nacional
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14/09/2017 09:49

Colorado sofre metade dos 18 gols na competição pelo alto, e Guto dá atenção especial para ajustar sistema defensivo com Ernando e Víctor Cuesta, após a lesão de Klaus

Ernando e Cuesta formarão a dupla titular de zaga do Inter (Foto: Eduardo Deconto)
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Guto Ferreira “setoriza” seu elenco e divide os atletas em dois grupos, com jogadores de meio e ataque em um campo e defensores no outro lado do gramado do CT do Parque Gigante para comandar boa parte do treino de quarta-feira com exercícios específicos a cada função. O treinador opta por permanecer entre zagueiros e laterais para dar atenção especial à movimentação e ao posicionamento defensivo. E com um foco bem específico: as jogadas pelos lados e de bola aérea, principais “algozes” da equipe, como mostra o raio-X dos gols sofridos pelo Inter na Série B

O GloboEsporte.com mapeou todos os 18 tentos levados pelos goleiros colorados nos 23 compromissos pela competição até aqui. Do montante, nove – a metade – surgiram do jogo aéreo dos rivais, entre cruzamentos, cobranças de falta e escanteio. Outros cinco tiveram origem em jogadas construídas pelos lados (excetuando as investidas laterais que resultaram em bolas alçadas para a área). Há ainda dois tentos sofridos em investidas pelo meio e mais dois em contra-ataques.

As jogadas em que o sistema defensivo costuma falhar ficam evidentes nos tipos de finalização e no local de origem da maioria dos gols. Ao todo, o Colorado sofreu 16 tentos de dentro da área (88,8%), dos quais sete, de cabeça. Apenas dois foram originados em conclusões fora da área.

Não à toa, Guto tratou de ajustar bastante a movimentação e o posicionamento de seu quarteto defensivo ao conter cruzamentos, com o deslocamento da linha para fechar espaços nas laterais. Durante o treino de quarta-feira, o técnico também orientou seus jogadores ao sair da área, até para deixar rivais em impedimento.

Os cuidados com a defesa têm a ver com o atual momento do setor. A começar pela ausência de Klaus. O zagueiro fraturou o punho esquerdo na derrota para o Juventude e é baixa por 60 dias. Assim, o técnico usa os treinamentos para ajustar a mecânica do setor com Ernando ao lado de Víctor Cuesta, a nova dupla de zaga.

De quebra, o Colorado também viu o retrospecto como melhor defesa da Série B ruir ao sofrer cinco gols nos últimos quatro jogos na competição. A média subiu de 0,78 gol por partida ao longo de 23 rodadas para 1,25 nos duelos com Londrina, ABC, Paysandu e Juventude.

Os nove gols em investidas no jogo aéreo se dividem entre escanteios (2), bola parada (3) e jogadas pelos lados do campo (4). Há ainda um detalhe especial neste tipo de lance, que indica fragilidade do sistema defensivo ao conter as investidas rivais com cruzamentos originados do lado esquerdo. Do montante, sete surgiram de tentativas pela lateral que costuma ser ocupada por Uendel.

O Inter sofreu sete gols em jogadas trabalhadas com bola no chão e construções coletivas rivais. O número é reduzido e indica solidez defensiva para conter esse tipo de investida. Mas quando dissecado, também denota uma certa dificuldade em conter os avanços dos adversários pelos lados do campo. Trata-se de uma deficiência que é exercitada para ser corrigida pela comissão técnica de Guto Ferreira. O auxiliar André Luís costuma orientar Cláudio Winck e Uendel para ajustar posicionamento e movimentos defensivos.

No último sábado, o Inter viu Yago aparecer livre entre Víctor Cuesta e Eduardo Sasha – que fazia as vezes de lateral após Uendel sentir cãibras – para sair na cara de Danilo Fernandes e anotar o gol que decretou a derrota para o Juventude no Alfredo Jaconi. A jogada, em si, nasceu de um contra-ataque rápido armado pelos donos da casa, com dois passes verticais até a finalização. Algo raro na trajetória colorada na Série B.

A equipe sofreu apenas dois gols em contra-golpes ao longo de 24 rodadas – o outro foi sofrido diante do Vila Nova, em falha na cobertura que permitiu superioridade numérica ao rival nos minutos finais, no Serra Dourada. O número é reduzido à base de muito trabalho. E da estratégia traçada por Guto Ferreira. O treinador baseia seu jogo num estilo de marcação alta, com agressividade para tentar roubar a bola no campo de defesa e orientado a parar as jogadas com faltas sempre que não conseguir o desarme. A intenção é atrasar a transição ao ataque dos rivais.

GE