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Segundo maior produtor de milho do país, Paraná deve ter safra de 18,5 milhões de toneladas

Economia, Notícias
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17/08/2017 11:32

Dado é do Departamento de Economia Rural; número representa aumento de 37% em comparação à safra 2015/2016. Conheça os bastidores da colheita no oeste do estado

Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo
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A safra de milho do Paraná deve chegar a 18,5 milhões de toneladas em 2017, superando em quase 1 milhão de toneladas o recorde registrado em 2012/2013. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a previsão de aumento é de 37% em relação à safra anterior do estado, que é o segundo maior produtor do país.

A primeira safra rendeu 4,9 milhões de toneladas, com um crescimento de 47%. Fechando a soma, a colheita do milho safrinha, que segue até meados de setembro, pode chegar a 13,7 milhões de toneladas, 35% a mais que em 2014/2015.

Os bons resultados se devem em especial ao acréscimo na área plantada e à melhor produtividade.

“Quando houve o planejamento para a safra 2016/2017, a previsão era de preços atraentes, em torno de R$ 30 a saca, o que acabou não se mantendo. Atualmente a saca está sendo comercializada a menos de R$ 18”, explica o analista de milho do Deral, Edmar Gervásio.

Outro fator para o aumento da área foi a proibição do plantio de soja na segunda safra desde o ano passado no Paraná. “Isso também levou muitos produtores a optaram pelo milho em detrimento do trigo”, completa.

Força do oeste

Parte da projeção positiva é garantida pelos agricultores dos municípios da região oeste, líderes no cultivo de milho e responsáveis por uma parcela importante na cadeia produtiva do estado. O grão é usado principalmente na alimentação de aves e suínos, outro destaque da agropecuária paranaense.

Com milho suficiente para atender a demanda estadual, a tendência, observa o especialista, é que o Paraná aumente a venda a outros estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Outra parcela, cerca de 4 milhões de toneladas, deve ser exportada.

Empresa a céu aberto

No Paraná, 85% das propriedades rurais têm até 50 hectares. Portanto, a maior parte da produção vem da agricultura familiar. E, para quem plantou milho, é hora de se dedicar à colheita da segunda safra. Até agora, 81% da produção deixaram as fazendas.

A rotina imposta pela colheita reflete dentro de casa. A preparação do almoço bastante generoso começa cedo. “A prioridade é para quem está lá na roça. Por causa do serviço mais pesado, eles têm mais fome e comem mais”, conta a agricultora Veralcy Scherer, que deixou a profissão de professora para este ano ajudar na propriedade com o restante da família, entre eles o pai e o filho.

“Pelo menos três vezes no ano, o almoço é assim, na roça mesmo”, destaca o produtor Silvano Carrer, de São Miguel do Iguaçu. “O agricultor tem que gostar muito do que faz e saber fazer de tudo. É como se fosse uma empresa a céu aberto.”

G1