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Turistas salvam a vida de mulher que queria pular da Ponte da Amizade

Notícias, Saúde
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23/02/2018 09:42

Várias pessoas se aproximaram e pegaram a mulher pelo braço, impedindo que o suicídio ocorresse

Foto: Reprodução
Legenda da foto

Imagens de um cinegrafista amador mostram o momento de desespero de algumas pessoas para salvar a vida de uma mulher que tentava pular da Ponte Internacional da Amizade, na divisa do Brasil com o Paraguai. O fato foi registrado na manhã de quinta-feira, 22.

Pelas imagens é possível observar que ao perceberem que a mulher estava tentando se jogar da ponte, várias pessoas se aproximaram e pegaram a mulher pelo braço, impedindo que o suicídio ocorresse.

Fique por dentro

As tentativas de suicídio ou sua prática efetiva envolvem sempre uma grande dose de sofrimento, tensão, angústia e desespero. Esta dor da alma pode ser real ou será consequência de uma crise de natureza afetiva, de uma conturbação mental, como, por exemplo, a psicose no seu grau mais agudo, ou de uma depressão com sintomas delirantes.

  • O que leva uma pessoa a querer cometer suicídio?
  • O que motiva alguém produzir em si a dor de uma autoagressão?
  • Por qual razão alguém perde o sentido da vida e não quer mais vivê-la?
  • Ou o que traz esta dor que não pode calar e que quer se acabar?

O suicídio leva a muitos questionamentos, mas uma coisa é certa: ninguém quer deixar de viver, o suicida não quer acabar com a própria vida, ele quer acabar com o sofrimento.

Este sofrimento é tão forte, tão cruel, tão profundo, que nada parece fazer sentido. A família, os amigos, a profissão, o dinheiro, a esperança, nada mais existe. Apenas aquele vazio, aquele buraco onde deveria haver tantos sentimentos, mas eles já se foram…

As forças para lutar se acabaram, e o que sobrou é usado para um último ato, na busca errônea pela solução de todos os problemas. E este ato, quando consumado, põe fim a uma vida, uma história, um destino e toda uma existência.

Ao vivenciar este sofrimento e viver com esta dor é muito difícil perceber que há uma realidade diferente para si mesmo, não se vê uma luz no fim do túnel, não se percebe uma saída. Tudo parece cinza, nada traz alegria e prazer, não existem bons sentimentos.

A incompreensão das pessoas que estão ao redor é dolorida, pois é realmente difícil entender por que algumas pessoas não querem continuar vivendo suas vidas, apesar de para os outros parecer boa.

Por isso é muito importante entender que o suicídio não é frescura, não é brincadeira, mas, é algo muito sério, é um grito de socorro, é um desespero profundo, uma dor insuportável, uma necessidade urgente de sair do sofrimento em que se encontra e nada mais consegue aplacar.

Ao passo que a pessoa em risco de suicídio percebe que alguém entende e acolhe sua dor, sabe que é aceita, compreendida e amada, pode começar a se aceitar, compreender, se amar e deixar o desejo de pôr fim a sua vida de lado, pois sua dor é aplacada, suas esperanças são renovadas, a luz no fim do túnel se torna visível e novas possibilidades são visualizadas.

Os sobreviventes

Quando se sobrevive a uma tentativa de suicídio parece que a pessoa vive um misto de gratidão com decepção, que depende do nível no qual está o vazio e a desesperança. Ao mesmo tempo em que se questiona por que não conseguiu, também se questiona se não é uma nova oportunidade de viver que está tendo e que deve aproveitar, mas ainda não sabe como.

Mas a luta continua, o que foi renovado deve continuar em constante aperfeiçoamento, tanto da parte da pessoa que desejou morrer quanto das pessoas ao seu redor, até que seja extinta esta possibilidade.

Acompanhamento psicológico é de extrema importância em todo o processo, e o uso de medicamentos, com acompanhamento psiquiátrico, pode ser necessário por um bom tempo, pois ambos ajudam muito a pessoa a refletir, a repensar sua vida e seus hábitos. A psicoterapia trabalhará a raiz do problema, fortalecendo a pessoa e a tornando capaz de não voltar ao fundo do poço onde se encontrava.

E é tão bom ver novas possibilidades, recomeçar, reinventar a vida, resinificar as dores e experiências, superar o passado, aproveitar o presente e vislumbrar um futuro melhor!

Saiba que é possível, com ajuda correta muitos conseguiram e você também vai conseguir!

Quem fica sofre muito, é muito difícil compreender, aceitar

Quem fica, sofre com os questionamentos, a negação, a raiva, a culpa, a decepção, e muitos sentimentos negativos, pois ninguém espera que isto aconteça. A morte é dolorosa e o luto sempre vem acompanhado de sofrimento, mas, quando a morte foi uma escolha, uma decisão, um grito de socorro impossível de ser atendido, a dor é muito maior, não há comparação.

O que fazer se identificar sinais de risco?

Se veio até aqui porque desconfia que um amigo, um familiar, ou um conhecido seu poderá estar a pensar em suicídio, ou que inclusive já fez uma tentativa de se suicidar, e não sabe como o ajudar, existem várias coisas que pode fazer por essa pessoa. Se reconhecer os sinais que descrevemos, aqui estão algumas indicações do que poderá fazer:

  • Em primeiro lugar, ser um bom ouvinte é essencial – simplesmente ouça, com toda a atenção, não apenas os factos, mas a sua dor, medos e ansiedades. Não julgue, nem dê conselhos ou opiniões.
  • Reconheça o seu sofrimento, valorize o que é dito e demonstre que está disponível para a ajudar. É fundamental que essa pessoa saiba e sinta o quão importante ela é para si, que a sua vida tem valor para alguém e que a sua dor emocional é compreensível e aceitável face às suas vivências presentes.
  • Demonstre empatia – procure compreender as coisas não do seu ponto de vista, mas segundo o ponto de vista do outro.Não faça comparações.
  • Se essa pessoa que o preocupa não falar abertamente do que sente ou pensa,  é importante que tome a iniciativa em conversar com ela. Diga claramente que se apercebeu que o seu comportamento mudou (especifique que mudanças específicas observou) e que está preocupado/a com o que possa ter causado essas mudanças.
  • Não mude de assunto, nem faça comentários do tipo “anima-te”, “vai correr tudo bem”.
  • Não hesite em questionar aberta e diretamente se essa equaciona a ideia de suicídio como uma opção válida. Pode dizer algo como: “Imagino que estejas a sofrer muito, que seja avassaladora a dor que sentes em função de toda esta situação. Estás a considerar o suicídio como opção?”, “Parecem ser demasiados problemas para aguentares sozinha. Pensaste no suicídio como fuga?”, “Alguma vez pensaste em deixar tudo?” Essas questões transmitem a mensagem de que existe alguém que compreende a sua dor psicológica e de que a pessoa não está sozinha. Naturalmente, a abordagem a este tema sensível varia em função da situação e relação de confiança estabelecida.
  • É importante que a pessoa que pensa em suicídio saiba que a sua morte causaria sofrimento nas pessoas que a rodeiam, e haveriam pessoas que sentiriam a sua falta. Por isso, nunca é demais ter um gesto de carinho para com ela. Por vezes, a tentativa de suicídio pode ser um pedido de ajuda que se pode evitar se a pessoa compreender, antes de tentar terminar a sua vida, que existe alguém que gosta de si, se importa consigo.
  • Nunca deixe a pessoa sozinha se sentir que existe perigo de ela cometer suicídio, nomeadamente se lhe parecer que a mesma tem um plano concreto de suicídio e já tomou decisões para o pôr em prática. Incentive-a a pedir ajuda especializada (a um hospital, médico, psicólogo ou psiquiatra) e retire da sua proximidade todos os objetos com que a pessoa se possa magoar. Se for necessário, chame uma ambulância, ou outro tipo de ajuda que possa ser pertinente, rapidamente.

Tarobá News/ Fronteira Online